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A explosão criativa dos Song Camps


Song camps - homem negro compõe música ao violão sentado no sofá

Os song camps têm uma longa tradição na gringa, mas vêm se tornando cada vez mais populares na indústria musical brasileira nos últimos anos. Esses eventos colaborativos reúnem compositores, produtores musicais e artistas em um ambiente criativo e produtivo, estimulando a colaboração e a criação de novas músicas. A partir daí, podem surgir parcerias duradouras e o tão cobiçado hit.


Embora não haja uma receita de bolo para construir uma canção que irá repercutir nas rádios e plataformas de streaming, o fato de que os songwriting camps vêm se popularizando na indústria prova que eles dão bons resultados. Quais lições podemos tirar desses ambientes de imersão criativa intensa e o que eles representam para o modo de operação das gravadoras e editoras?


É fato que associações de compositores e as major labels do mercado já estão todas veteranas nos camps, que se realizam múltiplas vezes ao ano. Nem mesmo durante a pandemia a prática arrefeceu: as sessões de composição coletiva eram feitas online. Tudo para atender uma alta demanda mercadológica.


Mas o que são os song camps?


Song camps - pessoa compõe música ao violão


Os “acampamentos criativos” são encontros colaborativos que buscam conectar compositores, produtores musicais e artistas para a criação conjunta de novas músicas. Essas sessões intensivas são organizadas com o objetivo de promover o compartilhamento de ideias e experiências, e a exploração de diferentes estilos e abordagens musicais.


Durante os song camps, os participantes são convidados por um organizador ou empresa da indústria musical. Eles podem ser artistas solo, compositores, produtores, beatmakers, instrumentistas, letristas ou outros profissionais criativos relacionados à música. Os encontros acontecem em estúdios, casas de veraneio ou outros locais adequados para a criação musical e podem variar em duração, desde alguns dias até várias semanas. Seus formatos são variados. Suas possibilidades, ilimitadas.


Os participantes são divididos em grupos de trabalho ou equipes de composição, muitas vezes com pessoas que não trabalharam juntas anteriormente. A ideia é promover a colaboração entre artistas e criadores com diferentes estilos e perspectivas. O novo ambiente e os novos rostos servem de convite para sair da zona de conforto. Durante o evento, os participantes passam a maior parte do tempo escrevendo e produzindo músicas em conjunto, podendo partir do zero ou desenvolver ideias e rascunhos trazidos para o song camp.


Feedback e orientação também podem ser fornecidos por mentores ou profissionais experientes da indústria, e à medida que as músicas são criadas, elas são gravadas e produzidas - pelo menos em caráter demo, para serem aprimoradas em uma gravação mais definitiva.


Vem daí a tendência, cada vez mais presente, de múltiplos nomes de compositores na ficha técnica de uma faixa. Se antes a figura do cantor-compositor era onipresente, agora nota-se um caráter mais coletivo à gênese dos principais sucessos dos últimos anos. O resultado é uma gama maior de possibilidades criativas, algo que um mercado com alta demanda agradece.


A importância dos song camps


Song camps - pessoa compõe música ao violão


A cantora, compositora e produtora musical Mahmundi escreve há anos canções para si e outros artistas. Mas foi apenas nos últimos três anos que ela passou a mergulhar nessas maratonas de composição como forma de ampliar sua atuação para além da carreira solo. Isso porque além de criar músicas, os song camps são uma ótima oportunidade para os participantes se conhecerem, criarem conexões e expandirem suas redes de contatos na indústria musical.


Mahmundi destaca que os song camps oferecem uma experiência enriquecedora, permitindo que os compositores olhem para o artista e entendam suas demandas, referências e preferências musicais. Essa colaboração leva a canções que podem ser adaptadas para diferentes propósitos, seja para o próprio artista, para outros cantores e até mesmo para trilhas sonoras - outro setor em alta. Ela cita a canção “Grão de Areia”, composta com Lucas Carlos, Felipe Lau e outros autores, feita em um camp para um álbum de Ivete Sangalo.


“Foi muito interessante como a gente junto, numa cabeça, olhando para o artista, entendendo qual é a demanda dele, a necessidade dele, chegou no resultado que foi interessante. Eu gosto muito disso, participar de um camp para mim tem uma coisa de você olhar para o artista, quem é essa pessoa, quantos anos ela tem, qual é a discografia ou se ela tá começando, quais são as referências que ela que ela tem na vida, o que ela gosta de ouvir... Esse lance com a Ivete foi uma grande experiência para mim, mas eu já fiz outros camps também para artistas que estão começando, por exemplo”, ela explica.


Segundo Décio Cruz, Diretor A&R da Warner Chappell Music Brasil, a editora realiza song camps desde 2018 com o intuito de conectar compositores, estimular parcerias e promover composições de alta qualidade. Os camps costumam variar de acordo com a demanda e gênero musical, podendo acontecer em diferentes estados do Brasil e até mesmo com compositores internacionais. O perfil dos convidados é variado, com profissionais experientes e também novos talentos emergentes. Eles são recrutados com base em suas habilidades artísticas e na capacidade de contribuir com o processo criativo, além da intenção do projeto, estilo musical, entre outros fatores.


Em 2023, um dos principais camps promovidos pela Warner Chappell foi temático do Dia da Mulher, reunindo apenas compositoras - já que elas recebem apenas 10% dos direitos autorais no atual cenário brasileiro, de acordo com dados da UBC, a União Brasileira de Compositores. Na ocasião, estavam presentes nomes como Ana Cañas, Anaju, Ananda Paixão, Catha, Clarissa, Carol Mathias, Dani Guimarães, Dora Sanches, Julia Joia, Keveny, Khiara, Kynnie, Lara Estelita, Marcella Fogaça, Ruby e Sabrina Azevedo - em uma mescla de autoras mais experientes e outras em ascensão.


“Um exemplo legal que saiu de um dos projetos, foi a música ‘Lokko’ gravada pela Giulia Be e com autoria dela, de Arthur Marques, Iberê, Goky, Zebu e Daniel Marinho. A composição começou durante o song camp e depois foi finalizada em estúdio”, exemplifica Décio.


Este é apenas um dos muitos casos de como os camps já ajudam a povoar a aba de novidades do seu serviço de streaming favorito. O que poderia ser uma mera tendência de mercado tem se mostrado eficaz em movimentar o setor, integrar compositores e intérpretes e criar um ecossistema que valoriza o sucesso desde antes de ele ser hit: na gênese da canção, a composição.


Iremos dissecar a importância dos song camps no atual mercado da música na parte 2 dessa matéria. Não deixe de ler!



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